Sou a ausadia pagã numa quarta feira de cinzas.
Cinzas do teu corpo queimado pelo meu fogo atróz
mordaz
terno
e ingênuo.
Sou a súplica pelo vento que apazigua o calor do verão.
Verão instalado nas retilâncias da minha carne branca
santa
pura
e profana.
Sou a desnecessidade do descanso de um domingo vazio.
Vazio que absorve minhas veias outrora alimentada pelo teu sangue
azul
salgado
venenoso
e infantil.
Sou a mulher nascida depois da morte da esperança cor de rosa.
Rosa jogada no túmulo do nosso amor amedrontado
inseguro
demasiado
e viril.
[ Não me deixe, vc que nunca se foi, embora nunca tenha estado aqui comigo!]
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