Axei isso em outro blog, cujo nome não lembro!
Axei essa ideia de expor alguns dos feitos do nosso governo bem legal!
Então está aki para quem qser ver!!
Quando uma doutrina autoritária chega ao poder, ela pode se expressar de várias formas, e até, à primeira vista e formalmente, dentro da lei.
Há medidas tomadas, nas esferas federal e estadual, em que são bastante visíveis as impressões digitais de um tipo de visão segundo a qual a sociedade precisa ser vigiada, tolhida e, se for o caso, punida, para adotar "bons costumes".
A questão da proibição do fumo em qualquer espaço público comercial, em São Paulo e agora no Rio, é emblemática.
Lastreada em propósitos louváveis - a preser-vação da saúde -, a proibição, por radical, cassa o direito do fumante, ao suprimir as áreas antes reservadas para ele.
Outra característica desta doutrina autoritária é eximir o Estado de responsabilidades, punindo terceiros por delitos configurados como tais por este tipo de norma.
No caso do fumo, a punição recai sobre o dono do bar, do restaurante, do que seja.
Em vez de o poder público se responsabilizar pela repressão, ela é transferida, por imposição pecuniária, a outros.
O mesmo ocorreu na louvável repressão ao uso do álcool por motoristas.
Em vez de se ampliar a fiscalização policial nas estradas, tentou-se proibir a venda de bebidas no comércio à margem das rodovias, em prejuízo dos lojistas.
Quase, também, fizeram o mesmo com as lojas de conveniência urbanas.
O novo enquadramento das farmácias é típico.
Por determinação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, os estabelecimentos passam a ser proibidos de vender mercadorias que não sejam medicamentos.
A decisão carece de lógica, por ser risível o argumento do combate à automedicação.
Mais uma vez, pune-se o empresário porque o Estado não consegue fazer cumprir a regra da obrigatoriedade de receita médica para certos remédios.
A mesma Anvisa, por causa deste viés autoritário, move intensa cruzada contra a publicidade de medicamentos - as de antigripais foram suspensas por causa da gri-pe suína - e de alimentos para crianças.
Ou seja, os pais e as pessoas em geral precisam ser contidas na ânsia consumista, pois não têm discernimento para decidir o que é bom para a família.
A visão de um Estado tutelador de uma sociedade tida pela autoridade pública como infantil e imatura também transparece na ação do Ministério da Saúde de fazer desaparecer o antiviral Tamiflu das farmácias, eficaz droga contra a gripe suína, supostamente também para evitar a automedicação.
Não é leviandade pensar que pessoas possam ter morrido pela falta do remédio nas prateleiras do comércio, somada à incapacidade de o Estado distribuí-lo pela rede pública.
O Brasil vive uma fase kafkiana: há liberdade, democracia, mas direitos individuais, inscritos na Constituição, começam de forma crescente a ser tolhidos por normas, portarias e leis redigidas alegadamente para defender a população.
O Estado quer trancar a sociedade numa redoma, em nome da segurança dela, e ficar com a chave.
(Editorial de O Globo, dia 22 de agosto)
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